Por Equipo VivePatagoniaRedação do portal
A comida patagônica se explica sozinha quando você olha a paisagem: muita ovelha, muito mar frio e pouquíssima verdura. Dessa escassez saiu uma cozinha de poucas coisas muito bem-feitas.
O cordero al palo
É o prato que organiza todo o resto. Um cordeiro magalânico aberto e cravado numa cruz de ferro ao redor de um fogo de lenha, girando devagar durante três ou quatro horas. Não leva nada além de sal, e é exatamente essa a graça.
O cordeiro de Magallanes tem uma carne diferente da do centro do Chile: os animais pastam ao ar livre o ano inteiro sobre coirón, e isso se nota.
Come-se com as mãos, na estância ou na parrilla, e é sempre comida demais. Essa também é a graça.
A centolla
A centolla do Estreito de Magalhães é o outro emblema. É pescada entre julho e novembro —há defeso no resto do ano, e respeitá-lo importa— e normalmente servida cozida, fria, com um pouco de limão ou num chupe gratinado.
Um aviso útil: se oferecerem centolla em janeiro, pergunte de onde ela veio. O defeso existe porque a pesca esteve à beira do colapso, e a demanda turística fora de temporada é o que a pressiona.
O mar frio
Além da centolla, o cardápio do sul tem merluza-austral, congrio-dourado, róbalo, ouriços-do-mar e cholgas. A água fria dá peixes de carne firme, que aguentam bem a chapa e não precisam de molho.
Em Puerto Aysén e Puerto Chacabuco, o salmão de cultivo faz parte da paisagem econômica e do cardápio. Nas enseadas de pescadores, o que vale a pena pedir é o que foi pescado naquela manhã.
O calafate
É um arbusto espinhoso que dá um fruto roxo do tamanho de um mirtilo, ácido e com um sabor que não se parece com nada do norte. Come-se em geleia, em sorvete, em sour e em sobremesas.
A frase que se repete em todo o sul —“quem come calafate volta”— é de origem tehuelche e, a esta altura, é mais uma brincadeira local do que uma crença, mas ninguém resiste a prová-lo.
O mate e a torta frita
Em Aysén, culturalmente mais perto do pampa argentino do que do centro do Chile, o mate circula o dia inteiro. Se oferecerem a você, aceitar é a resposta certa: é um gesto de hospitalidade, não um convite formal.
Ele vem acompanhado das tortas fritas, a sopaipilla do sul, que lá se come com a chuva como desculpa.
E algo que não é comida
A água. Em toda a região ela sai da torneira e se bebe sem filtrar nem ferver, e em muitos lugares vem direto de um degelo. Levar uma garrafa reutilizável economiza dinheiro e poupa plástico a um lugar onde o lixo precisa sair de caminhão.
Revisado em
